Crônica de uma pandemia anunciada parte XI

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Serra Negra, 12 de outubro de 2020

Entramos no último trimestre do ano com casos de Coronavírus se intensificando em países europeus na chamada segunda onda da pandemia. Por aqui, seguimos na primeira e continua onda que mais pode ser considerada um Tsunami.

A corrida vacinal segue veloz e em outubro muitas fases finais de teste se encerram, o que aumentam as chances das primeiras doses chegarem ainda esse ano. É uma possibilidade, mas é preciso ter os pés no chão, afinal definir uma data para chegada de um imunizante é irresponsável.

Às vésperas de um feriado prolongado recordes de congestionamento são registrados nas estradas brasileiras enquanto o pantanal segue em chamas. Dois clássicos exemplos de afinidade da população com o que diz e faz o Governo Federal.

Mesmo sem o controle da transmissão a vida está cada vez mais próxima do normal.

Nossos governantes seguem homenageando e exaltando torturadores enquanto o país volta ao mapa da fome.

Com o desemprego elevado, e um cenário pouco animador se desenhando em termos econômicos para os brasileiros, o presidente diz que a manutenção do auxílio emergencial pode quebrar o país.

Incompreensivelmente, há quem incentive a reabertura das escolas, inclusive pais que acreditam que que a educação das crianças cabe única e exclusivamente aos professores.

Embora muitos já soubessem, a pandemia apenas escancarou a incapacidade que o ser humano tem de pensar no próximo.

Empresários estimulam aglomerações, médicos dão o exemplo contrário de como agir em suas redes sociais e cada um faz o que bem entende.

É preciso buscar qualidade de vida e saúde mental? Sim! Mas tão importante quanto é ser coerente e praticar a empatia.

Muitos reclamam dizendo que a pandemia estragou seus planos, que 2020 era o ano e isso é muito curioso.

Mas á verdade é que vivemos em um mundo atemporal. Dividido de maneira científica em segundos, minutos, meses e anos. Enquanto para uns, esse tempo não para, não é incomum ouvir de muita gente que no Brasil o ano só começa depois do carnaval.

Mesmo com a questão do tempo sendo diferente para algumas pessoas, a verdade é que a pandemia impactou muita gente de forma negativa.

Depois de muito tempo como interino, agora temos um ministro da saúde, mas que afirmou essa semana que até poucos meses atrás não sabia o que era o SUS.

E quase 7 meses após a disseminação da Covid-19 pelo planeta, o Brasil atingiu a triste marca de 150 mil mortes, em meio a campanha políticas que podem afundar ainda mais um país cujo futuro parece não existir. atualmente dos mais de 38 milhões de infectados no mundo, pouco mais de 5 milhões são brasileiros.

E como forma de comemorar o numeral de vidas perdidas, a CBF – Casa Bandida do Futebol, segue apoiando os jogos de futebol em um país de tamanho continental com protocolos fadados ao fracasso, além de trazer jogadores de diferentes partes do globo para uma incoerente disputa no momento de eliminatórias da copa.

E o esporte que gosto e acompanho com afinco – o automobilismo, não ficou ileso de ações, no mínimo duvidosas com relação à Covid-19, pois como temos acompanhado, existem provas, principalmente de cunho regional sendo realizadas sob a tutela de federações estaduais com protocolos sanitários um tanto quanto duvidosos e conflitantes com uma série de interesses meramente financeiros por detrás. Uma infeliz e doída realidade.

E assim o brasileiro continua a se comunicar apenas com seus iguais, sem debater ideias contrárias e se isolando em suas bolhas.

A vida vai voltando à normalidade sem nunca realmente ter mudado para muitos e a próxima pauta já está definida: Quem vai e quem não vai tomar vacina.

Imagem: Gilmar – O cartunista das cavernasInstagram

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