Crônica de uma pandemia anunciada parte X

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Serra Negra, 8 de setembro de 2020

Depois de um feriadão prolongado com muita movimentação nas estradas chegamos a mais uma crônica.

Engraçado notar que muitas pessoas ficam inconformadas com praias e estâncias lotadas, mas fecham os olhos para os transportes públicos abarrotados em tempos de coronavírus.

Qual a razão desse inconformismo seletivo? Também não sei responder.

Estou no interior há algum tempo, 8 dias para ser mais exato. Movimentação de maneira segura, para respirar um pouco de ar puro, abafado pela fumaça das queimadas.

Após alguns dias no interior, notamos que só damos valor às coisas quando não as temos mais, parece clichê, mas é estranho como as pessoas precisam sentir na pele.

Não tenho mais verde por perto, tampouco ar puro e hoje noto como isso me faz falta.

Prestes a alcançarmos os seis meses de um distanciamento social fajuto, e com muita gente em homeoffice trabalhando mais do que o normal, é impossível não pensar: Precisamos realmente perder tempo indo e voltando a escritórios longínquos cinco vezes por semana?

Às vezes eu acredito que as coisas vão mudar. Às vezes acho que não. Ultimamente o lado negativo tem vencido essa forma de pensar totalmente baseada em achismo.

Talvez um reflexo do pessimismo exacerbado trazido pela coerência de quem opta por se manter afastado e não repete as ações da maioria.

Na condição de um privilegiado que pode trabalhar em casa, optei por um upgrade nos estudos e dei início à uma nova pós-graduação. Com mais conhecimento, posso continuar prevenindo, promovendo e recuperando a saúde das pessoas.

Embora muitos não deem o crédito que ela merece, as pesquisas científicas continuam a avançar e no próximo mês teremos os tão aguardados resultados de algumas vacinas que estão em terceira fase de estudo.

Importante ser otimista, mas acima de tudo manter os pés no chão, afinal nosso presidente afirmou recentemente, que tomar vacina não é obrigatório, além de instruir crianças de que não precisam usar máscaras.

Um veterinário vai comandar o departamento estratégico das próximas fases de combate à pandemia.

Assim como outros profissionais da saúde, médicos veterinários possuem base epidemiológica para tal tarefa, mas impossível não rir da piada pronta: Um veterinário para cuidar do gado brasileiro cego de ódio.

No tocante da questão econômica, seguimos patinando e com a corda estourando para o lado dos mais fracos.

Magistrados são defendidos pelo desgoverno, o auxílio emergencial despenca para meros R$ 300,00 mensais.

Enquanto um saco de arroz alcança cifras próximas dos R$ 30,00 o presidente tem a solução: Patriotismo para os empresários!

Na semana em que comemoramos o dia da Amazônia, o desmatamento bateu recordes e as ONGs ambientais brasileiras foram chamadas de câncer pelo presidente miliciano e censurador que nos governa.

Ao passo que a pandemia segue seu rumo, seguimos sem ministro da saúde.

O número de infectados e mortos continuam a subir e minhas crônicas parecem não fazer mais sentido para mim mesmo.

Já são mais de 4,1 milhões de diagnósticos e superamos as 127 mil vidas perdidas.

Os brasileiros seguem no mesmo oceano pandêmico, mas mais do que nunca em barcos e com visões diferentes.

Foto da capa: Jornal o Globo.

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