Crônica de uma pandemia anunciada parte VII

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São Paulo, 27 de julho de 2020!

Entramos na última semana de julho, agosto está logo aí e continuo a acordar em casa, malhar em casa, trabalhar em casa, ficar em casa…  com a plena consciência de que sou um privilegiado.

Notícias positivas sobre vacinas começam a surgir na mídia especializada, e o mais importante: com embasamento científico.

Temos hoje 19 vacinas experimentais pelo mundo, com destaque para duas já em fase final de teste: As desenvolvidas pela Universidade de Oxford e pelo laboratório chinês Sinopharm, ambas com testes por aqui!

A Rússia também anunciou uma vacina em ensaios já avançados que teria apresentado resultados positivos e deve entrar em circulação civil já em agosto, com produção em massa a partir de setembro.

Entretanto, os russos estão sendo acusados por Canadá, EUA e Reino Unido por eventual roubo de dados para desenvolvimento vacinal.

Com ânimos ainda exaltados, EUA ordenaram o fechamento do consulado chinês em Houston alegando defesa de propriedade intelectual. Em resposta, chineses ordenaram o fechamento do consulado estadunidense em Chengdu.

A Covid-19 pode dar início a uma nova guerra fria

Ao buscar dados e informações sobre vacinas, eu tinha esperanças embasadas cientificamente, mas com os pés no chão que talvez pudéssemos começar um processo de imunização por aqui em meados de dezembro, mas isso não deve ocorrer

Os EUA compraram 100 milhões de doses de vacinas da Pfizer e da BioNTech que entrarão em circulação ainda esse ano. Embora tenha sido divulgado que esse seria todo o estoque de vacina disponível para 2020, a Pfizer desmentiu a informação e afirmou ter capacidade de produção para 200 milhões de doses.

Os atos duplos provenientes de terras estadunidenses demonstram uma clara tentativa de Donald Trump aumentar sua popularidade, uma vez que pesquisas apontam Biden como favorito.

Embora seja uma medida egoísta, essa mega compra norte americana reabre o debate sobre como será o processo de imunização mundial contra a Covid-19. Parece que mais uma vez a vida vai imitar a arte, nesse caso, me refiro ao filme contágio. O que me faz acreditar ainda mais no que disse na primeira crônica: A humanidade não sairá da pandemia melhor do que entrou.

Por aqui, (ainda) seguimos sem ministro da saúde.

O atual governo que se elegeu na promessa de acabar com a corrupção, segue atolado em escândalos de corrompimentos.

Na tentativa de impor uma nova CPMF, o ministro da economia, sofreu derrota na câmara, já o Fundeb foi aprovado! Duas derrotas para o governo brasileiro.

Importante notar que quando o governo é derrotado, o país sai ganhando. Uma clara demonstração do tempo insano que vivemos.

Com exames para Covid-19 ainda positivos, o presidente brasileiro foi flagrado oferecendo cloroquina à uma das emas do palácio do planalto. Não se sabe se é o medicamento superfaturado aqui no Brasil ou se é proveniente do lote que fora rejeitado e enviado pelos EUA. O que se sabe é que um dos animais, de maneira inteligente rejeitou a droga.

Realmente… O Brasil não é para amadores.

Enquanto novos casos e óbitos são registrados conseguimos enxergar um lapso de coerência: eventos que causam grandes aglomerações começam a ser cancelados ou adiados, exemplos clássicos são festas de réveillon e carnaval.

Sem uma orientação coesa das autoridades, cada um apela para o seu bom senso nem sempre existente na hora de se comportar coletivamente, tentado (ou ao menos, fingindo) respeitar o próximo. Um verdadeiro “empurrar” com a barriga.

Como muitos sabem, existe o hábito de se fazer um minuto de silêncio quando alguém morre. Se hoje fizéssemos um minuto de silêncio por cada brasileiro que perdeu a vida para a Covid-19, precisaríamos ficar sem falar por um pouco mais do que 60 dias.

E assim, já rumamos para 2,5 milhões de casos, e nos aproximamos das 100 mil mortes, sem deixarmos a subnotificação de lado.

Naturalmente, a maioria das crônicas até agora tiveram um tom pessimista, algo natural diante do cenário que estamos vivendo. Entretanto, além das vacinas em testes que têm se mostrado positivos, temos mais um motivo para sorrir.

No último domingo, uma coalização representada por mais de um milhão de trabalhadores da saúde no Brasil e entidades internacionais protocolaram no Tribunal Penal Internacional de Haia uma denúncia contra o atual presidente do Brasil por genocídio e crimes contra a humanidade, devido às suas ações de enfrentamento à pandemia.

E assim seguimos sem saber se contamos mais um dia ou menos um dia.

Imagem: Gilmar – O Cartunista das CavernasInstagram.

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