Crônica de uma pandemia anunciada parte III

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São Paulo, 01 de junho de 2020

Acabamos de adentrar em mais um mês na companhia das incertezas trazidas pela pandemia.

Ao término de junho, terei passado mais da metade dos dias de 2020 em um isolamento social. Para mim, algo outrora totalmente inimaginável, entretanto, mais real do que nunca.

O Brasil enfim chegou ao pódio do número de infectados. Já somos medalha de prata, com mais de 500 mil infectados e com mortos alcançando a casa dos 30 mil, fora a subnotificação, importante ressaltar.

O Slogan do governo: Brasil acima de tudo, pela primeira faz sentido, estamos acima de tudo quando o assunto são os novos números de mortos e infectados diariamente.

Outro ponto interessante sobre a questão do slogan, é que o Brasil está acima de tudo, também nas emissões de carbono. Na contramão do mundo, nosso país registra recordes de desmatamento durante esse conturbado período. É a boiada que está passando.

Presidentes estadunidense e brasileiro, seguem com seu alinhamento unilateral, defendendo medicamentos cuja OMS suspendeu a utilização, além de utilizarem seus policiais em prol de um racismo cada vez mais explícito. George Floyd nos EUA, João Pedro no Brasil são, infelizmente os exemplos mais recentes.

300 não são nada perto de 70%, cada vez mais importante exaltar isso a partir de agora. Se o povo brasileiro soubesse a força que tem.

Em um momento de curva ascendente, governos estaduais, pressionados por grandes empresários dão início a um processo de flexibilização de um isolamento que inexistiu. CPFs em prol de CNPJs. Governantes como meras marionetes da “mão invisível” do mercado.

Pequenos empresários, responsáveis por 70% dos empregos no país não têm acesso a auxílios e empréstimos com baixas taxas de juro. Talvez um reflexo da fala do ministro da economia que afirmou recentemente: “não vamos perder dinheiro salvando pequenas empresas”.

A luta dos profissionais da saúde, visando manutenção e recuperação da saúde física e mental da população é frequentemente boicotada, por um governo que opta por espalhar o caos e a bagunça, colaborando para o aumento do estresse, ansiedade e intranquilidade.

Está cada vez mais implícito para quem o governo governa.

E por falar em saúde, diante daquela que é considerada a pior pandemia do século, seguimos há 17 dias sem ministro da saúde.

Testes com vacinas promissoras avançam e às vezes, o pessimismo embalado por nossa realidade dá lugar ao otimismo, mesmo que os pés estejam mantidos no chão.

A cultura, ultimamente tão negligenciada e judiada, nos proporciona pequenas alegrias diárias. Séries, filmes, livros e músicas sustentam nossa sanidade.

Ficou ainda mais fácil se emocionar ouvindo alguns acordes de nossa banda favorita.

Ah… a arte. E como dizia o velho ditado: A vida imita a arte.

Parafraseando a série The Handmaid’s tale, inspirada no livro o conto da Aia, escrito por Margaret Atwood, a protagonista Offred disse algo que pode ser aplicado em nossa vivência:

“Eu estava adormecida antes, foi assim que deixamos acontecer. Quando eles massacraram o congresso, nós não acordamos. Quando eles culparam os terroristas e suspenderam a constituição, não, ainda assim não acordamos. Eles disseram que seria temporário. Nada muda instantaneamente”.

Tanto o livro, quanto a série, podem ser vistos como um aviso de alerta, um foco de incêndio para o cenário político e de saúde atual, do Brasil e de outros lugares do mundo.

E assim seguimos contando os dias… sem saber quantos dias faltam.

*imagem: Adaptada do jornal Folha de S.Paulo

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