Crônica de uma pandemia anunciada parte II

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São Paulo, 20 de maio de 2020.

Seguimos no pseudo isolamento social.

Enquanto países europeus que adotaram restrições sérias e pesadas começam a liberar as pessoas de maneira controlada, aqui, seguimos com conflitos entre poderes municipais, estaduais e federal sem se alcançar um denominador comum.

A saúde dá indícios claros de que segue rumo ao colapso.

Planos de saúde negando atendimentos, independente de quais sejam as necessidades de seus pagadores.

O mundo parou, para e pela Covid-19.

O então, novo ministro de saúde, que fez a seguinte afirmação: “É preciso levar em consideração a idade do paciente para ver se o investimento em sua recuperação vale a pena”, pediu para sair. O que deixa ainda mais claro o baixo nível de humanidade do atual governo.

Enquanto uns tentam enfiar a hidroxibolsoquina goela abaixo, repleta de efeitos colaterais, o ar falta aos pacientes e sufoca os profissionais de saúde.

A escolha de Sofia, tão comovente aos olhos brasileiros em hospitais italianos chegou, mas sem causar a mesma comoção.

4 aviões lotados caem diariamente por aqui, mas ninguém parece dar importância a isso.

1.179 óbitos nas últimas 24 horas.

O Brasil parece querer lugar no pódio do número de infectados e quiçá de mortos entre todos os países do mundo.

A bola ingrata e indesejada do epicentro está sendo passada para nós, e é cada vez mais clara a incapacidade de lidar com isso.

O caos e a incerteza, citados em nossa primeira crônica, aumentam.

A nona economia do mundo, o Brasil tomou uma decisão inusitada, mas não inesperada: Se negou a contribuir financeiramente em prol de um fundo de pesquisas europeu para desenvolvimento de vacinas.

Alie a isso, a briga do clã daqueles que se julgam donos do Brasil com os chineses e podemos concluir que temos um desastre em termos de diplomacia. Estamos cada vez mais isolados.

Nos resta então, aguardar uma vacina estadunidense, pesando o fato de que o nosso ignorante comandante está alinhado de modo unilateral ao presidente daquele país.

Mas aqui cabe um alerta, a nação que já foi a mais poderosa do mundo, pode não ter o atual chefe no poder a partir de janeiro de 2021. O que tende a nos deixar, literalmente, sem vacinas.

Somos governados por um inconsequente.

A ajuda financeira prometida não chega aos mais pobres.

Pequenos empresários, muitos dos quais se julgavam elitizados, não são auxiliados pelas instituições financeiras. Os mesmos que ajudaram a eleger um governo que prometia livrar o país de ser uma Venezuela, caminham a passos largos para isso. Irônico, não é mesmo?

A era da pós-verdade chegou, mais forte do que nunca. E trouxe com ela o negacionismo.

Ferrenho e inexplicável negacionismo.

O paradoxo da intolerância, proposto por filósofo Karl Popper é mais atual do que nunca. E na busca constante por saúde mental e coerência, opto por sempre que possível colocá-lo em prática.

caverna

 

*Imagem de capa: Unsplash

*Imagem de fechamento: Gilmar – Cartunista_ das_cavernas

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