São Paulo, 11 de maio de 2020. 60º da pandemia de Covid-19

Aqui estamos, mais um dia de isolamento social, ou quarentena, se você preferir chamar assim.

Isolamento iniciado ainda em meados de março, dia 14, no meu caso, para ser mais preciso.

O vaivém desnecessário não existe mais. O trabalho, felizmente em casa.

Entes e amigos queridos,  na sua maioria, também, sãos e seguros dentro de suas casas.

Estamos todos no mesmo barco? É óbvio… que não.

E na mesma sintonia? Mais do que nunca, não!

Não é a primeira pandemia que assola o planeta, e certamente não será a última.

O que trouxe essa pandemia à tona? Um castigo divino? A ganância humana? Nosso despreparo? Os últimos dois apontamentos são as causas mais prováveis.

Sou profissional da saúde (e da escrita), tenho o costume de me pautar pela ciência para embasar minhas decisões.

Ciência não é algo que se refute com achismo, importante dizer.

Mostrei para amigos dados e previsões científicas desconfortáveis, recebi como resposta: “Deixa disso, precisamos ser positivos”.

De repente, fomos privados de pequenos prazeres, aos quais não dávamos tanta atenção e valor.

Da minha janela, vejo pessoas circulando, sem necessidade real.

Nos feeds de minhas redes sociais, vejo também “amigos e colegas” que continuam a se reunir aos finais de semana. A vida tem que seguir, o Brasil não pode parar dizem alguns (talvez, não os considere mais amigos).

Limpeza nos feeds, quebras de amizades virtuais, ah… a saúde mental.

Páscoa, dia das mães, futuros feriados, distância, preocupações, saudade.

Discussões à esquerda e a direita se tornaram “normais”. Na ausência de debates e senso crítico, cada um escolhe a verdade que lhe convém.

Na busca incessante por heróis, os brasileiros continuam a idolatrar políticos.

Respiradores superfaturados, equipamentos piratas, sistema público sobrecarregado, cartão corporativo estourado. A mamata não acabou.

Equipamentos de baixo custo capazes de salvar vidas não são interessantes. Afinal, não dão lucro. Um viva para o capitalismo selvagem.

Políticos embasando decisões, tendo como objetivo as futuras eleições.

10 mil mortes? Vamos comemorar com um churrasco, ou uma volta de jet-ski.

Influenciadores que influenciavam massas vazias, perdem visibilidade.

Bancos e instituições financeiras continuam a lucrar.

CNPJs podem morrer, insistem alguns. Mas sem CPFs, eles não nascem, tampouco sobrevivem.

O Estado ao invés de ajudar, é cego de maneira seletiva e segue com sua mão invisível sem funcionalidade. Alie a isso, o excesso de burocracia e as “poderosas” canetadas.

Fome, desigualdade, crise. O futuro, não é muito difícil de prever, e se desenha desagradável.

Caos e incertezas cada vez maiores.

A caridade não anônima é vaidade.

Já dizia a mensagem de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier: Tudo passa.

Quando passa? Ainda não se sabe…

E pra finalizar, quando tudo isso acabar? A humanidade será melhor? Infelizmente, é certo que não!

 

*Imagem: Getty Images.

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