As armas da ciência contra o coronavírus

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Essa é a primeira pandemia que enfrentamos com a presença maciça de acesso a tecnologia, dados e consequentemente informações. O que aumenta consideravelmente o nosso poder de comunicação, além da emissão de opiniões e claro, o compartilhamento.

Foi pensando em trazer clareza e afastar as fake news que tanto assolam o Brasil e o mundo, que resolvi produzir esse artigo, mostrando através de embasamento científico, quais são as armas que a ciência dispõe para combater o coronavírus e a Covid-19.

Quer saber quais são? É só continuar a leitura do artigo a seguir!

As principais armas da ciência contra o coronavírus

A comunidade científica luta de maneira incansável nos quatro cantos do mundo em busca de soluções capazes de frear o avanço do novo coronavírus e acelerar o processo de recuperação de quem foi infectado. Após pesquisas e leituras, cheguei a seguinte lista com aquelas que julgo que são as principais armas da ciência nesse momento:

  • Isolamento social;
  • Vitamina D;
  • Heparina;
  • Transplante de plasma de pacientes curados;
  • Desenvolvimento de vacinas;
  • Pesquisas com medicamentos já existentes;
  • Esterilização de EPIs usados.

Apresentada a lista, é hora de falar de maneira aprofundada sobre cada item. Vamos lá?

Isolamento social

Não é absurdo nenhum afirmar que o isolamento social é a principal arma que a ciência possui no combate ao coronavírus. Por se tratar de um vírus novo, nosso organismo ainda não dispõe de anticorpos capazes de combater o vírus, assim, ao entrar em contato com ele, o processo de infecção é inevitável, podendo causar uma série de sintomas e até mesmo a morte.

Estudos demonstram que a não circulação, causada pelo isolamento social, diminui o contágio e evita a sobrecarga em sistemas de saúde, como tem ocorrido em países como Itália, Espanha e agora EUA.

Para exemplificar de maneira prática, no dia 8 de abril, o Intercept publicou uma matéria mostrando que no Brasil, o primeiro estado a decretar colapso na saúde deve ser o Amazonas, onde 95% das vagas de UTI já estão ocupadas por conta do coronavírus.

Vitamina D

Um estudo italiano foi divulgado recentemente, demonstrando que a maioria dos pacientes infectados em estado grave pelo coronavírus apresentavam baixos níveis de vitamina D. Entretanto, isso pode ser analisado e interpretado de muitas maneiras.

Os níveis de “normalidade” segundo os valores de referência são de 30 ng/mL a 100 ng/mL. Ou seja, uma “janela” muito grande. Sabe-se que níveis que giram em torno de 45 ng/mL a 60 ng/mL ajudam na modulação de células do sistema imunológico inato, sendo capaz de auxiliar o organismo no combate ao vírus.

A vitamina D é vista como um ajudante na comunidade médica científica no atual momento e não como algo capaz de combater diretamente o coronavírus. A recomendação é de que a nos exponhamos ao sol por cerca de 15 minutos diários. A suplementação da vitamina D só deve ser feita mediante prescrição profissional.

Heparina

A heparina é um conhecido (e poderoso) medicamento anticoagulante que está ganhando espaço em testes contra o coronavírus. Após necropsias em corpos de pessoas que vieram a óbito em razão da Covid-19 no Brasil e no mundo, foram observados  pequenos coágulos em diversas regiões do organismo, principalmente nos pulmões. Dessa maneira, na teoria o uso do anticoagulante, poderia evitar a coagulação e evitar a morte de pacientes infectados com o vírus. No Brasil, os estudos estão sendo conduzidos no Hospital Sírio Libanês há algumas semanas.

Além disso, um estudo realizado na China, colocando em união a Faculdade de Medicina Tongji, Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong, Wuhan, Hubei, China  chegou à conclusão que a terapia anticoagulante, parece estar associada a melhor prognóstico em pacientes graves com Covid-19.

Transplante de Plasma sanguíneo de pacientes curados

Na opinião deste que vos fala, o transplante de plasma, em um curto espaço de tempo pode ser o melhor caminho em termos científicos para frear o avanço do coronavírus e acelerar processo de recuperação de pacientes, contribuindo assim, para aliviar os sistemas de saúde de todo o mundo.

O plasma é a parte líquida do sangue que concentra anticorpos após o paciente ter se recuperado da Covid-19. Trata-se de um tipo de terapia já utilizada em outras doenças de origem viral, como o ebola e a SARS – Síndrome Aguda Respiratória Severa (que inclusive é causada por um tipo de coronavírus).

Esse tipo de terapia, normalmente é indicado para caso de pacientes graves, que ao receberem o plasma com anticorpos da Covid19 podem passar a combater a doença de maneira mais otimizada. Cada doação de plasma pode salvar até quatro vidas, além de diminuir o tempo de estadia do paciente no hospital.

No Brasil, o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio Libanês e a Faculdade de Medicina da USP já começaram estudos envolvendo o uso do plasma sanguíneo de pacientes curados.

Desenvolvimento de vacinas

Existe hoje uma verdadeira corrida ocorrendo de maneira simultânea em diferentes países, envolvendo, inclusive fundações filantrópicas como Fundação Bill e Melinda Gates, que deram início a fase de testes em humanos essa semana.

Além da fundação filantrópica do casal Gates, o governo dos EUA iniciou em 16 de março o teste de vacinas em humanos, com o intuito de acelerar uma produção em larga escala para o segundo semestre de 2021.

Aqui no Brasil, as pesquisas para desenvolvimento de vacinas ainda estão na fase de captação de dados e informações e deverão ser feitas no Instituto Butantã ou na Fiocruz e só serão testadas em humanos após testes em animais.

Falando de modo mais amplo, em cenário de nível mundial, existem hoje um total de 115 pesquisas candidatas a vacina, sendo 78 confirmadas como ativos e 37 não confirmadas. Dessas 78, cinco possuem potencial para desenvolvimento e consequente distribuição.

Pesquisas com medicamentos já existentes

Dois medicamentos ganharam força e visibilidade como coadjuvantes no tratamento da Covid-19 a cloroquina e a hidroxicloroquina por conta de sua capacidade de otimizar a ação do sistema imunológico.

Entretanto, um estudo preliminar conduzido pela Fiocruz, divulgou de que as taxas de morte de pacientes com coronavírus que fizeram uso de cloroquina equivalem às de quem não usou o medicamento.

A Fiocruz ainda está testando o medicamento atazanavir, um antirretroviral indicado para pacientes com HIV. O fármaco aparenta ter potencial para inibir a replicação do novo coronavírus em células infectados, mas os resultados obtidos até agora, ainda precisam ser confirmados através de testes clínicos para se tornar uma possibilidade no combate à doença.

Além disso, outros medicamentos estão em fase de testes, porém, os estudos ocorrem sem a divulgação dos nomes dos fármacos, com o intuito de não gerar uma corrida desenfreada e errônea às farmácias.

Esterilização de EPIs usados

Com a paralisação comercial em todo o planeta, a produção de EPIs – Equipamentos de Proteção Individual, foi totalmente afetada e há países (como é o caso do Brasil) onde os equipamentos já estão escassos.

Entretanto, técnicas de esterilização de EPIs vêm sendo estudadas, com a finalidade de serem colocadas em prática o quanto antes. Peter Tsai, cientista de materiais, que participou do processo de desenvolvimento da Máscara de proteção N95 afirmou essa semana que acredita ter encontrado uma maneira de esterilizar o equipamento, permitindo seu uso por mais de uma vez.

A técnica, consiste aquecer a máscara em ambiente com temperatura controlada de 70 graus celsius por 30 minutos com o intuito de eliminar o vírus de sua estrutura. O resultado do estudo, deve ser divulgado em breve.

Conclusão

Levando em conta todo o embasamento científico que temos à disposição, o ideal é que nesse momento fiquemos em casa o máximo possível. Por mais tedioso, penoso e até mesmo triste que isso possa parecer, a reclusão é importante para evitarmos sobrecargas e evitarmos mortes, afinal, toda vida importa.

Estamos diante de um inimigo ainda desconhecido. Ao alinharmos essa situação aos cortes frequentes de verba para a ciência brasileira desde 2014 e o pouco reconhecimento que cientistas têm ao redor do globo é fácil concluir que não estávamos preparados para uma pandemia.

Que ao término disso tudo, mais verbas possam ser repassadas às pesquisas e que pessoas que se dedicam à ciência sejam mais valorizadas!

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