Para a ciência brasileira voltar a crescer: Novos cortes

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Esse conteúdo está sendo publicado com um certo atraso, mas acredito que ainda vale uma colocação sobre o corte de verbas destinados à pesquisa brasileira. Como todos sabemos, recentemente o governo cortou quantias destinada à pesquisa científica no Brasil, evitando assim, a chegada de novos pesquisadores já para o ano de 2019 e colocando em risco, bolsas e continuidade de quem já atua na área.

O artigo a seguir é um misto de dados fidedignos coletados com paciência e dedicação, com toques de opinião própria. Por isso, sugiro senso crítico se você continuar a leitura, pois mostrarei o meu ponto de vista que vai desde e a escolha do ministro da ciência e tecnologia, passando por cifras, o impacto futuro dessa decisão de “contingenciamento”, deixando por fim uma solução no ar. Lhe desejo uma boa leitura.

A escolha do ministro da Ciência e Tecnologia

Começo falando sobra a escolha do ministro. Ainda em sua campanha rumo à presidência, Jair Bolsonaro já dizia que caso fosse eleito, o astronauta Marcos Pontes seria seu ministro da ciência e tecnologia. Um nome com apelo popular, afinal, Pontes é o único astronauta brasileiro, mas pouca gente sabe que ele foi ao espaço fazendo uso de dinheiro público. Uma vez na estação espacial, realizou experimentos que não trouxeram grandes impactos para a ciência brasileira.

Procurei na plataforma Lattes o currículo de Pontes e não achei, então fui até o seu site pessoal, que pode ser acessado aqui e me deparei com um currículo que mostra que o então ministro tem formação em Engenharia Aeronáutica pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica e é mestre em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, Califórnia, EUA.

Em 1981 entrou na Força Aérea Brasileira, onde trabalhou em funções administrativas, foi instrutor, líder de esquadrilhas e piloto de testes. Suas funções de militar se encerraram em 1998 quando foi selecionado, através de Concurso público da Agência Espacial Brasileira para representar o Brasil na NASA, seguindo a carreira de astronauta.

Na NASA, pontes acumulou uma série de funções, até sua derradeira ida ao espaço no ano de 2006. Quando retornou da estação espacial, o então astronauta foi transferido para a reserva militar brasileira, por motivos de regulamento que visaram sua utilidade ao campo civil.

Segundo consta em seu site, Pontes, assim que retornou ao Brasil na reserva militar atuou basicamente como: “palestrante motivacional, coach especialista em desempenho pessoal e profissional, consultor técnico e especialista em segurança operacional”. Além disso, o astronauta brasileiro ganhou fama por se tornar garoto-propaganda de uma marca de travesseiros.

Assim que foi efetivado como ministro da ciência e tecnologia, o mesmo, afirmou que não entendia de política e precisaria “correr atrás” para apreender como funciona o ambiente político.

Charge 1

Recentemente, ele rebateu o presidente Jair Bolsonaro, dizendo que os dados sobre desmatamento levantados pelo INPE não eram falsos, mas mesmo assim, exonerou o então diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Galvão. É notório que Marcos Pontes não está preparado para ocupar o cargo que ocupa

Valores

Nessa parte do artigo, vou falar um pouco sobre os valores. As cifras cortadas, quais são as médias de valores para bolsas de mestrado e doutorado no Brasil e as projeções para 2020.

Cifras cortadas

Os principais órgãos de pesquisa no Brasil são o CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e o CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Somente em 2019, o CAPES teve R$ 819 milhões contingenciados. Já o déficit do CNPQ atinge até o momento os R$ 330 milhões.

Os ganhos de um pesquisador

Muitas pessoas reclamam, mas diferente do que se acredita, as bolsas oferecidas não possuem valores estratosféricos como muitas fake news divulgam por aí. Um pesquisador que faz mestrado recebe em média R$ 1.500,00 por mês, enquanto bolsas de doutorado são de R$ 2.200,00 mensais. Os valores praticados pela CAPES podem ser encontrados aqui, e os do CNPQ nesse link.

É importante salientar que para receber a bolsa, o pesquisador deve se dedicar totalmente aos seus estudos, não podendo ter nenhum outro tipo de renda, como emprego com carteira assinada ou contratos freelas, sob a pena de perder a bolsa. Além disso, quem faz pesquisa por aqui não possui qualquer tipo de auxílio financeiro, por isso, deve sobreviver com o valor da bolsa, utilizando a quantia para pagar despesas como aluguel, alimentação, água, luz, internet e deslocamento até o local onde desenvolve seus estudos.

Hoje no Brasil, um bolsista não possui 13º salário, não recebe adicional de insalubridade e não pode contar o período que se dedicou a pesquisa na hora de se aposentar.

Projeções monetárias ainda para 2019 e 2020

Falando ainda de 2019, Marcos Pontes anunciou um remanejamento de R$ 82 milhões para garantir o pagamento das bolsas de setembro (no mês de outubro), entretanto, ainda não se sabe, como ficará o repasse do último trimestre para os pesquisadores.

Já para próximo ano, haverá uma redução de 87% para a aquisição de materiais de trabalhos, como insumos, reagentes e demais equipamentos, laboratoriais. No entanto, há uma projeção programática de um aumento de 27% para 2020 para manutenção de bolsas pesquisas.

Falando do ponto de vista de pesquisas internacionais, em 2019 o orçamento para internacionalizar a pesquisa brasileira foi de R$ 3,3 milhões, enquanto para 2020 esse valor será de R$ 1,1 milhão.

CHARGE 2

Impacto no futuro

Com a provável diminuição da capacidade de pesquisa brasileira, é provável que haja um maior gasto para importar tecnologias estrangeiras como forma de suprir nossas necessidades em todas as áreas. Ou seja, falando de maneira reta e direta: O que o governo faz é uma economia cega, burra e porca.

Se um equipamento que poderia ser desenvolvido no Brasil através de pesquisas que deixaram de ter incentivo, em algum momento esse equipamento vai ser desenvolvido no exterior, e será preciso pagar mais caro para ter essa tecnologia disponível por aqui. O mesmo vale para desenvolvimento de vacinas e medicamentos, por exemplo. O atual desmanche da ciência brasileira vai cobrar um alto preço no futuro próximo e mais uma vez os menos favorecidos do ponto de vista financeiro serão os mais afetados.

O Brasil, ao cortar fundos da educação e ciência segue o caminho oposto de países que enfrentaram e superaram crises.

Solução

Então você que chegou até esse ponto do texto, pode (e deve) argumentar: Mas Murilo, o que você está fazendo é a crítica pela crítica, apresente então, uma solução.

Concordo em partes no termo crítica pela crítica, mas além de criticar, nesse conteúdo, apresentei dados, explanei quão despreparado é o nosso ministro da ciência e tecnologia, além de quebrar paradigmas com relação a valores de bolsas, bem como direitos de pesquisadores.

A meu ver, a solução cai na velha tecla de que enquanto os representantes do povo brasileiro não cortarem seus privilégios, toda uma nação sofrerá.

Falando grosseiramente e arredondando para baixo, hoje deputados recebem um salário de R$ 33 mil por mês, mais cotas de exercício de atividades de cerca de R$ 30 mil por mês, mais auxílio moradia de R$ 4 mil por mês, mais despesas com saúde, mais R$ 100 mil por mês de verba destinada à contratação de pessoal. Senadores recebem quantias semelhantes.

Já um presidente na República no Brasil ganha em torno de R$ 30 mil por mês, fora os auxílios semelhantes aos de deputados e senadores. Apenas para efeito de curiosidade: recentemente durante uma passagem nos EUA, o filho do presidente e deputado federal, Eduardo Bolsonaro, gastou em apenas um almoço o valor de duas bolsas de doutorado.

CUSTO Parlamentar

Em um levantamento da Revista Época, em dezembro de 2018, ficou constato que o Brasil tem o segundo congresso mais caro do mundo, ficando atrás apenas dos EUA. Cada um dos 513 deputados brasileiros e 81 senadores custa em média R$ 28 milhões por ano (U$ 7 milhões), totalizando a cifra de R$ 16.632.000.000 de reais (eu nem sei falar esse número).

Como é fácil de notar, não é a ciência, tampouco a educação, ou os aposentados que estão “literalmente” deixando o país no vermelho, e a solução para resolução dessa questão está mais do que claro, não é mesmo? Para a ciência voltar a crescer, novos cortes são necessários, desde que efetuados nas cifras e “locais” corretos.

E termino com um pensamento meu: Se você não consegue enxergar o problema, talvez você seja parte dele.

*Fonte da foto de capa: UFBA. Link para acesso.

One Reply to “Para a ciência brasileira voltar a crescer: Novos cortes”

  1. Sensacional a matéria. Sou pesquisadora científica, com mestrado e doutorado, e atualmente fui uma das vítimas dos cortes de bolsas. Passei em primeiro lugar em um processo seletivo para uma bolsa de pós-doutorado e não pude assumir. Tenho 10 anos de estrada na pesquisa e digo que nunca passamos por tamanho retrocesso. É, de fato, um desmonte na educação. Jair Bolsonaro, Marcos Pontes, Abraham Weintraub e outros representam dias sombrios para todos nós.

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