(Des)Governo, ANVISA e CFN sobre a ótica de um nutricionista

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Vivemos hoje em um país cujos governantes em esferas municipal, estadual e federal pouco se atentam às necessidades da população, embora existam alguns raros casos que são exceção. Como nutricionista e conteudista me senti na obrigação de redigir um texto com caráter totalmente opinativo e particular, dando meus pitacos sobre o atual momento do (des)governo no Brasil, da ANVISA e do CFN – Conselho Federal de Nutricionistas.

Se você tem idealismos políticos exacerbados e não consegue digerir opiniões contrárias às suas, sugiro que pare a leitura por aqui.

(Des)Governo brasileiro

Dentre as questões mais preocupantes do atual (des)governo brasileiro os que mais me preocupam são a negação da fome, o corte em pesquisas e claro, a liberação de agrotóxicos.

Recentemente fomos premiados com a fala do atual presidente Jair Bolsonaro que disse: “Passar fome no Brasil é uma grande mentira. Uma inverdade é afirmar que não há fome no país. Essa declaração pode ser rebatida rapidamente.

Um relatório divulgado em novembro de 2018 pela ONU mostrou que a desnutrição alcançou 5,2 milhões de brasileiros entre os anos de 2015 e 2017. Entre 2013 e 2016 o número era de 5,1 milhões. Apenas para efeito de comparação, no triênio entre 2000 e 2002, mais de 18 milhões de brasileiros passavam fome.

Esses números só demonstram que, a fome é um problema existente e persistente por aqui, e que governos anteriores (PSDB e PT) não conseguiram erradicar essa situação, como falsamente divulgou o Partido dos Trabalhadores em diversas ocasiões.

Outro ponto preocupante diz respeito ao corte de verbas em pesquisas. Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro cortou nada mais, nada menos do que 42% do orçamento de ciência e tecnologia. Com isso, o enfrentamento de epidemias emergentes como é o caso do Zika Vírus e Chikungunya, por exemplo; busca por novas fontes energéticas e pesquisas em segurança alimentar são direta e negativamente afetadas.

E como cereja do bolo, para finalizar a parte do governo, temos os agrotóxicos. Até a finalização desse conteúdo, o governo de Jair Bolsonaro liberou o uso de apenas (ironia) 262 agrotóxicos.

O uso desenfreado de agrotóxicos traz grandes problemas em curto e longo prazo para o meio ambiente e para a saúde humana. Morte de abelhas polinizadoras, contaminação de solos e lençóis freáticos são os maiores exemplos de como essas substâncias podem ser lesivas a diferentes ecossistemas.

Além disso, a utilização desse tipo de produto em larga escala, tem ligações com uma série de problemas de saúde, tais como câncer, alterações hormonais, problemas de origem intestinais e neurológicas. Outro ponto importante que merece atenção se dá sobre o autismo. Um artigo divulgado pela Universidade Federal de Juiz de Fora mostra que o uso de glifosato, um agrotóxico amplamente utilizado no Brasil, causará autismo em 50% das crianças até 2025.

ANVISA e a variação de coerência

A ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária vem demonstrando altos níveis de incoerência com assuntos relacionados a alimentação e saúde. Dentre os principais temos:

  • Agrotóxicos;
  • Banimento da gordura trans;
  • Proibição da Moringa Oleífera;
  • Liberdade para indústrias alimentícias.

Sobre a ANVISA, vou falar de modo mais agrupado, para o texto não ficar muito grande. Recentemente, a agência visa adotar novos critérios para classificação de risco dos agrotóxicos, inclusive usando o risco de morte como uma das formas de classificar esse tipo de produto, algo positivo e coerente.

A agência aprovou no dia 23 de julho de 2019, uma consulta pública para avaliar a possibilidade de banir a presença de gordura trans nos alimentos fabricados no Brasil. Essa proibição é algo positivo e, resultaria na diminuição de uma série de problemas de saúde atuais e futuros. Mais um ponto coerente. Entretanto, isso vai esbarrar nos lucros e interesses de grandes indústrias alimentícias, podendo ganhar cunho político e não vingar.

A proibição da Moringa Oleífera foi um dos maiores absurdos recentes da ANVISA. A agência afirmou que a proibição temporária ocorreu por falta de comprovação de segurança, o que não é verdade. Eu como nutricionista já usei pessoalmente e indiquei para pacientes o uso da planta como forma de controlar e amenizar processos inflamatórios, controle glicêmico, hipercolesterolemia e até mesmo envelhecimento precoce. Com uma simples pesquisa no Google acadêmico é possível derrubar a tese de falta de segurança.

E para corroborar a incoerência da ANVISA, venho citar a liberdade para indústrias alimentícias. Não podemos tomar um chá de moringa, mas as crianças podem comer cereais transgênicos repletos de açúcar.

CFN (e conselhos regionais): Presença e omissão

E agora, venho falar do meu conselho de classe federal, o CFN, que a meu ver enxerga muita coisa, mas fecha os olhos para muitas outras. Parece que o conselho abraçou a causa da redução de gordura trans nos alimentos, como pode ser facilmente notado em suas redes sociais.

Entretanto, o conselho federal e alguns regionais, principalmente o da 3ª região, de qual faço parte, ainda fecham os olhos para muitas outras situações, tais como a grande liberação de agrotóxicos e a invasão de profissionais de outras áreas sobre a área de atuação do nutricionista.

Para se ter ideia, não há uma campanha propriamente dita do CFN sobre a liberação recorde de agrotóxicos. No site do conselho há um vídeo falando sobre os malefícios causados pelo uso desse tipo de produto e um texto aprovando o posicionamento do CNS – Conselho Nacional de Saúde sobre a PL 6.299/2002. Só isso, nenhum tipo de luta ou engajamento maior.

Além disso, nós nutricionistas, não temos nenhum tipo de ação dos conselhos regionais e federais contra profissionais de outras áreas que invadem nossa área de atuação, como fisioterapeutas que prometem emagrecimento com cápsulas e massagens, educadores físicos que montam planos alimentares ou endocrinologistas que prescrevem “dietas” restritivas.

Conclusão

E para finalizar, concluo o conteúdo falando o que já costumo dizer nos meus posts em Instagram ou Facebook: Está cada vez mais difícil ter esperança e ser nutricionista no Brasil.

Depois disso tudo, muitos de vocês podem me perguntar: Ok Murilo, mas onde você quer chegar com isso tudo?

Em primeiro momento usei esse artigo como um desabafo pessoal e profissional. Minha intenção é expor fatos, que a meu ver são apenas a ponta do iceberg de uma série de problemas e condições surreais sobre saúde e alimentação por aqui, incentivar as pessoas e nutricionistas a buscarem por informações verídicas e não fechar os olhos (ou então se acostumar) às situações que ocorrem desde o governo, passando por agências regulatórias e também ao nossos conselhos federal e regional, para que possamos fazer cobranças coerentes e praticar mudanças.

Se você concorda com o que foi dito, com os dados apresentados ou não tinha conhecimento sobre algum fato mostrado nesse artigo, ajude-me a espalhá-lo, compartilhando em suas redes sociais. Se você discorda de colocações, deixe um comentário para que possamos debater de modo civilizado sobre nossos diferentes pontos de vida, afinal, toda conversa respeitosa é válida.

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